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A nossa História

A primeira semente que deu origem a esta coudelaria é verdadeiramente insólita, e merece ser aqui divulgada.

Para além de criador de cavalos Lusitanos, o proprietário da coudelaria, Carlos Gomes, é um profissional do sector financeiro, actividade muito intensa e geradora de algum stress inerente à função. Era seu hábito, nos fins de semana, libertar esse mesmo stress, montando os cavalos que tinha na Quinta da Lezíria, em Alcobaça, propriedade de seu sogro José Gonçalves Viegas Dias. Galopava pelo campo, até ao Pinhal de Leiria, e regressava do mesmo modo, gastando quatro a cinco horas no trajecto de ida e volta.

Seu sogro era amigo de José Manuel de Mello, para quem trabalhou toda a vida, sendo este, visita regular da Quinta da Lezíria. Numa dessas visitas, que incluiu almoço bem regado, José Viegas falou ao seu amigo dessa faceta equestre de seu genro. José Manuel de Mello insistiu em ver os animais, três cavalos cruzados Luso-Árabes, de porte médio. Com a frontalidade que lhe era habitual, o grande criador da raça Lusitana, comentou que aquilo não eram cavalos a sério, mas apenas amostras de cavalos, e acrescentando que iria resolver esse problema, arranjando-lhe animais condignos para a quinta.

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Pouco tempo depois, Carlos Gomes foi ao Monte da Ravasqueira com Vítor Tomão, ver duas éguas desta coudelaria, que estavam destinadas a integrar o efectivo reprodutor da casa, nesse ano. Das duas éguas, foi cedida a Xaquira, por ser ruça, já que a outra égua era castanha, e havia poucos animais dessa cor, na éguada da Ravasqueira. Nessa visita, e por sugestão e aconselhamento de Júlio Jerego, decidiram adquirir também a Trowa, levando assim para casa duas éguas Lusitanas, de apurada genética.

Entretanto, Carlos Gomes, orgulhoso da sua compra, convida o amigo João Pedro Cerejo dos Santos, cavaleiro tauromáquico e criador de Puro-Sangue Lusitano, para ir ver as magníficas éguas, já instaladas na Quinta da Lezíria, e este oferece-lhe cobrições de um dos seus garanhões, cuja linha genética se deveria ajustar com a linhagem das éguas. Foi assim utilizado o Lykeios, com o ferro Vilhena de Andrade, de linha Andrade, pura, que seria mais tarde adquirido pela Coudelaria Abbatiale.

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Mais tarde, após a morte de José Manuel de Mello, e a coudelaria do Monte da Ravasqueira ter terminado a criação de PSL, foram adquiridas mais três éguas deste ferro: a Tijela, a Zamora e a Brawa, aumentando assim o efectivo da Quinta da Lezíria, para cinco éguas com o ferro do Monte da Ravasqueira. Ficou assim constituída a base genética da coudelaria, com predominância das linhagens Veiga (30%) e Alter (30%),

completada por linha Andrade (15%) e Coudelaria Nacional (10%), ficando livres 15% para refrescamento do sangue e eventuais experiências com outras linhas. Existe na coudelaria uma especial atenção na selecção genética, para manter viva a diversidade, equilíbrio e funcionalidade, que a caracterizam.

Foi uma sorte, e um privilégio, para Carlos Gomes, ter podido comprar este valioso património genético, que produziu Lusitanos Campeões do Mundo, numa disciplina da Federação Equestre Internacional, neste caso a Atrelagem. De outro modo, demoraria décadas de selecção, e exigente experimentação de funcionalidade, para chegar a obter produtos com um padrão qualitativo deste nível.

A partir deste núcleo base, de fêmeas de altíssima qualidade, e do garanhão Lykeios, é fundada a Coudelaria Abbatiale, com o nome latim de abadia, em homenagem ao Mosteiro de Alcobaça e aos monges de Cister. A acção desta Ordem, instalada em Portugal, como parte da estratégia de desenvolvimento agrícola e fixação

das populações rurais, implementada por Bernardo de Claraval (São Bernardo) e pelos Cavaleiros Templários, constitui um importante marco histórico para a região e para Portugal. Este assunto parece já extravasar o âmbito do presente livro, o que não é inteiramente verdade, pois os monges de Cister, eram também criadores de cavalos, e utilizavam uma estratégia reprodutiva muito própria. As éguas eram fecundadas em

anos alternados, para permitir um maior vigor físico, para os poldros e para as mães.

Mais recentemente, foram acrescentadas mais duas éguas, ambas de linhagem Andrade. Estas duas linhas genéticas complementares, permitem à coudelaria implementar uma estratégia inspirada nos métodos de selecção, e treino, utilizados no Monte da Ravasqueira. Nesta coudelaria, a selecção era traçada, tendo por

base a funcionalidade e a dimensão, com provas de aptidão específicas e objectivas, através de critérios orientados para a obtenção dos melhores resultados possíveis na competição desportiva.

os cavalos bons são os que ganham

José Manuel de Mello

Desde muito cedo, é feita uma pré-selecção dos poldros, sendo o único critério de exclusão andamentos inferiores à categoria de Bom, sendo apenas os animais com andamentos muito acima da média aprovados para reprodutores, com avaliação e parecer de consultoria externa, de reconhecida competência técnica, nomeadamente Francisco Cancela de Abreu. Como curiosidade, as filhas do criador, Mafalda e Carolina, intervêm no processo de selecção dos garanhões e são elas que escolhem os nomes dos produtos da casa.

Uma das características que permitiu uma grande evolução da coudelaria, em poucos anos, foi, para além do rigor dos seus critérios de selecção, a manutenção duma equipa de profissionais, coesa e competente, practicamente desde a sua fundação. 

 

Vítor Tomão, é um amigo de longa data do criador, e, considerado por todos, o maioral. Esteve presente em todas as fases de desenvolvimento da coudelaria, tendo iniciado as suas funções com um estágio técnico no Monte da Ravasqueira, em 2006. É ele o responsável por todo o efectivo da coudelaria, desde o maneio dos poldros a partir dos seis meses, participa activamente na avaliação de todos os animais, e acompanha o cavaleiro da casa, nos treinos e em todas as competições em que este participa. 

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O cavaleiro residente, Mário Freire, constitui a única mudança de elementos na equipa, substituindo Tiago Oliveira, que montou os cavalos da coudelaria nos primeiros anos. A evolução de Mário Freire tem sido muito promissora, tendo já sido selecionado e participado no Campeonato da Europa de Jovens Cavaleiros em 2019 e novamente em 2021, desta vez em Sub-25, na disciplina de Dressage. Em 2020 ficou em terceiro lugar no Campeonato de Portugal de Sub-25, e foi vice-campeão em 2021, montando Filósofo, o primeiro produto a nascer na Coudelaria Abbatiale.

 

Margarida Correia é a veterinária responsável pelos animais, no dia a dia da coudelaria, desde o seu início, e particularmente focada no sector da reprodução. O ferrador, e também veterinário, João Robalo, integra a equipa desde a primeira hora, tal como o Pedro Silva, responsável pelo maneio dos poldros até aos três anos.

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Carlos Gomes, proprietário da coudelaria, é também o responsável financeiro do Fundo de Investimento Inequos, que investe em cavalos Lusitanos com aptidão, e potencial desportivo para pontuar mais de 70%, em Grande Prémio da disciplina de Ensino da FEI (Federação Equestre Internacional).

O responsável técnico deste Fundo é Carlos Lopes, ex-seleccionador nacional desta disciplina durante quase duas décadas, dando também o seu contributo na escolha anual dos garanhões que irão beneficiar o efectivo reprodutor da coudelaria. Esta escolha é feita com um critério de grande rigor, que analisa um conjunto de padrões genéticos e qualitativos, inseridos numa matriz própria, criada pela Coudelaria Abbatiale.

 

O Fundo Inequos selecionou dois cavalos da Coudelaria Abbatiale para preparar e promover, no âmbito deste ambicioso projecto: o Jackpot e o Liuki. Estes cavalos foram apresentados ao cavaleiro espanhol Claudio Castilla Ruiz, Olímpico na disciplina de Ensino, tendo este escolhido o Liuki, para integrar a sua quadra e seguir o treino e preparação adequadas com vista a atingir o nível de competição de Grande Prémio.

 

Fica assim claro, que o a linha condutora da criação cavalar desta coudelaria é a produção de animais com especial aptidão para o Ensino desportivo,

procedendo à sua selecção e preparação, na fase seguinte.

 

Na criação, é dada uma especial atenção à escolha dos garanhões utilizados, procurando aqueles que poderão complementar a excelência genética

da base da sua éguada, proveniente do efectivo reprodutor do prestigiado Monte da Ravasqueira, que nos deu algumas das melhores provas da

funcionalidade da raça Lusitana. Para escolha destes garanhões, é utilizado o modelo de avaliação criado por Francisco Cancella de Abreu, complementado pelos contributos de outros técnicos, para uma tomada de decisão final de Carlos Gomes.

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Ainda nesta fase inicial do processo de criação, é traçado um programa de maneio dos poldros, que evoluem em permanente contacto com humanos, sendo este um factor de enorme importância, em termos de carácter e docilidade ao longo de toda a carreira equestre dos produtos desta coudelaria. Também o maneio regular de pés e mãos, é aqui considerado uma prática fundamental para o bom temperamento dos poldros.

A estrutura da Granja Abbatiale, permite que todos os seus produtos passem o período de Inverno abrigados em boxes, sob vigilância permanente dos tratadores.

Na fase de selecção, todos os animais são avaliados e pontuados anualmente, ao longo do mês de Fevereiro, sendo colocados no mercado, todos os que não cumprirem os padrões de nível bom exigidos. Os cavalos entram, posteriormente, num programa de preparação para futura competição, a partir do final do terceiro ano de idade, sendo desbastados e trabalhados pela equipa de cavaleiros da casa, liderados por Mário Freire.

Em termos comerciais, a Coudelaria Abbatiale viabiliza a sua actividade, através da venda dos seus produtos seleccionados, em diferentes níveis de preparação e competição. A sua evolução competitiva é acompanhada e avaliada por Carlos Lopes, sendo esta evolução a determinar o valor dos cavalos da casa, em função do nível de Ensino já atingido, aumentando o seu preço exponencialmente, em função da sua aptidão desportiva.

A base de éguas do Monte da Ravasqueira tem dado substância à conhecida frase de José Manuel de Mello “Os cavalos bons são os que ganham”, e já começou a dar frutos de natural aptidão desportiva para o Ensino.

 

Assim: a Xaquira é mãe do Filósofo, selecionado para o Campeonato da Europa de Sub-25 desta disciplina, em 2019 e 2021, e Medalha de Bronze em 2020 e de Prata em 2021 no Campeonato de Portugal de Sub-25, com Mário Freire, do Liuki, Medalha de Bronze do Campeonato de Espanha de cavalos de 6 anos em que participaram 23 cavalos alemães, com uma pontuação média de 80,4%, montado por Cláudio Castilla, e do Poema, vencedor de Modelo e Andamentos na classe de poldros de 2 anos no Festival Internacional do Cavalo Puro-Sangue Lusitano em 2021; a Brawa é mãe do Horus Campeão de Itália em Free Style Dressage Master Ibérico, e Medalha de Prata no Campeonato da Europa de Dressage Master Ibérico, conquistados ambos em 2021, sob a monte de Serena Meattini, do Jackpot, aprovado pela APSL como garanhão, com mais de 75 pontos, e do Nairobi, que participou no Campeonato de Portugal de Cavalos Novos de 2021, pontuando acima de 71%; a Zamora é mãe do Iluminati, vencedor de Modelo e Andamentos aos 2 anos, na Golegã, e do New Delhi, vencedor de Modelo e Andamentos aos 2 anos, na Golegã.

A coudelaria tem exportado os seus produtos para Espanha, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Alemanha, Itália e Suécia e Estados Unidos da América. Pelo facto das suas pastagens terem sido cridas pelos monges de Cister, instalados em Alcobaça desde o século XII, em terrenos de origem pantanosa e às noites frias típicas da zona, os cavalos aqui criados estão isentos de piroplasmose.